Übermensch

Termo alemão usado por Nietzsche para designar o "sobre-humano", "além-humano" ou "super-homem": o ser que ultrapassa as limitações dos seres humanos, evoluindo para um estádio superior, livre de ilusões, nomeadamente as impostas pelas moralidades religiosas. DM

unidade da ciência

A ideia de unidade da ciência está associada a duas teses. Segundo uma delas, algumas ciências podem ser reduzidas a outras (por exemplo, a biologia à química), de tal maneira que em última análise todas as ciências podem, em princípio, ser reduzidas a uma única ciência englobante (geralmente a física). Há várias maneiras de entender a redução em causa (ver reducionismo). Pode-se sustentar, por exemplo, que as ciências são redutíveis à física no seguinte sentido: todas as afirmações de qualquer disciplina científica podem, em princípio, ser traduzidas para a linguagem da física (ver fisicalismo). A outra tese associada à ideia de unidade da ciência diz-nos que todas as ciências obedecem essencialmente ao mesmo método e procuram fazer-nos perceber a realidade da mesma maneira. Os defensores desta tese costumam afirmar que há um modelo de explicação científica aplicável a todas as ciências. Alguns críticos desta perspectiva, como Wilhelm Dilthey (1833-1911), opõem a explicação à compreensão, sustentando que o recurso a esta última torna as ciências sociais muito diferentes das ciências da natureza. Quem, como os filósofos do positivismo lógico, advoga a unidade da ciência, costuma ter em mente apenas as ciências empíricas e, portanto, coloca a matemática e a lógica numa categoria distinta. Ver lei da natureza, método científico. PG

universais

Um universal é uma propriedade exemplificada por diferentes objectos (ou particulares). Por exemplo, quando digo "Sócrates é sábio", a propriedade de ser sábio é exemplificada pelo particular Sócrates. Mas é também exemplificada por outros particulares: Platão, Gandhi, etc. Assim, o chamado "problema dos universais" consiste em saber se, além de particulares, como Sócrates e Platão, há coisas como a sabedoria, a brancura, a circularidade, etc. Os nominalistas afirmam que só há particulares e os realistas defendem que há universais. Mas se há universais, onde se localizam? Esta pergunta dá origem a diferentes tipos de realismo: transcendente e imanente. E será que há universais que não são exemplificados por particulares? Esta pergunta dá origem outros dois tipos de realismo: o platónico e o aristotélico. Os universais servem, alegadamente, para explicar a semelhança que se verifica entre objectos numericamente distintos. Há também diferentes tipos de nominalismo. AA

universal afirmativa, proposição

Uma proposição com a forma "Todo o F é G", como "Todos os homens são mortais". A negação de uma universal afirmativa é uma particular negativa: "Alguns F não são G". Assim, a negação de "Todos os homens são mortais" é "Alguns homens não são mortais". Ver quadrado de oposição. DM

universal negativa, proposição

Uma proposição com a forma "Nenhum F é G", como "Nenhum homem é eterno". A negação de uma universal negativa é uma particular afirmativa: "Alguns F são G". Assim, a negação de "Nenhum homem é eterno" é "Alguns homens são eternos". Ver quadrado de oposição. DM

universal, proposição

Uma proposição dominada pelo quantificador "Todo", como "Todos os homens são mortais", "Nenhum homem é imortal", etc. A negação de uma proposição universal é sempre uma particular. As proposições universais estão intimamente relacionadas com as condicionais (ver condicional); pode-se parafrasear qualquer universal dada numa condicional: a universal "Todos os homens são mortais" é equivalente à condicional "Se alguém é homem, é mortal". DM

universal, quantificador

Ver quantificador universal.

universalizabilidade

Condição fundamental, segundo Kant, para que uma máxima possa ser moralmente aceitável (ver ética). Quando um agente moral faz algo por alguma razão, está a seguir uma máxima. Uma máxima é, pois, uma regra singular de acção que nos indica o motivo por que fazemos algo. Para Kant, a avaliação moral de um acto depende da máxima do agente. Uma máxima é moralmente aceitável se puder ser universalizada. Isto significa que deve poder valer para todos os seres racionais, transformando-se em princípio universal de conduta: "Todos devem agir assim". LR

uso/menção

Qual é a diferença entre "Beja é quente" e ""Beja" tem quatro letras"? No primeiro caso, estamos a usar a primeira palavra para referir a cidade alentejana; no segundo caso, estamos a mencionar a própria palavra "Beja". No discurso escrito, o uso e a menção das palavras distingue-se pela utilização de aspas: se as palavras são usadas, não são escritas entre aspas; se são mencionadas, são escritas entre aspas. No discurso oral, só o contexto da elocução nos permite determinar se uma palavra está a ser usada ou mencionada. A distinção uso/menção é importante para evitar uma confusão entre as propriedades das coisas e as propriedades das palavras, como aconteceria ao dizermos que a palavra "Beja" é quente ou que a cidade alentejana tem quatro letras. APC

utilitarismo

Uma forma de ética consequencialista segundo a qual a nossa única obrigação fundamental é promover imparcialmente a felicidade ou o bem-estar, isto é, dar o mesmo peso aos interesses de todos os que serão afectados pela nossa conduta. Alguns utilitaristas, como Mill, defendem o hedonismo, mas outros, como Hare e Singer, concebem o bem-estar de um ser em termos da satisfação dos seus desejos ou preferências. Alguns utilitaristas defendem que temos de maximizar o bem-estar, isto é, promovê-lo tanto quanto possível. PG

utopia

Etimologicamente, o termo deriva das palavras gregas "ου" (não) e "τοπος" (lugar) e significa "que não está em nenhum lugar". O seu uso tem origem na obra Utopia (1516) de Thomas More, em que uma sociedade concebida para a prática da virtude e a obtenção da felicidade, donde estão excluídos o dinheiro e a propriedade, é apresentada como a solução para o egoísmo da vida privada e pública da Europa de então. Contudo, já antes de More outros autores tinham apresentado utopias, sem usar esse nome: é o caso de A República (trad. 2001, Gulbenkian), de Platão. Uma utopia é uma descrição de um lugar ou de uma sociedade humana ideais e, a maior parte das vezes, constitui, ao mesmo tempo, uma crítica da sociedade do autor e uma sugestão de reformas sociais a implementar ou de objectivos a atingir. AN