| P Q | P e Q |
| V V | V |
| V F | F |
| F V | F |
| F F | F |
As filas da tabela exibem as condições de verdade de "P e Q": caso P seja verdadeira (V) e Q também, a frase é verdadeira; em todos os outros casos a frase é falsa (F). As tabelas de verdade permitem assim exibir as condições de verdade dos operadores verofuncionais.
Mas permitem também determinar se uma afirmação, complexa ou não, é uma verdade lógica (ver tautologia), uma falsidade lógica (ver contradição) ou uma contingência lógica. Só devolve resultados correctos quando se aplica a afirmações cuja verdade, falsidade ou contingência lógicas resultam exclusivamente da sua forma proposicional verofuncional. Por exemplo, para saber se a afirmação "Se Sócrates era um homem, era um homem" é uma verdade lógica começa-se por captar a forma lógica da afirmação, que é a seguinte: "Se P, então P". Agora, faz-se uma tabela de verdade:
| P | Se P, então P |
| V | V |
| F | V |
Conclui-se que a afirmação é uma verdade lógica porque não há qualquer circunstância em que a afirmação seja falsa. Se não fosse uma verdade lógica, não seria verdadeira em todas as circunstâncias. Ver inspector de circunstâncias. DM
Uma das maiores preocupações de Tomás de Aquino consistiu em conciliar a doutrina cristã com o aristotelismo. Essa preocupação levou-o à defesa de uma teologia natural. Defendeu que algumas verdades religiosas são susceptíveis de ser descobertas e compreendidas pela razão, como é o caso da existência de Deus daí os seus argumentos a favor da existência de Deus. Contudo, achava que nem todas as verdades religiosas são susceptíveis de confirmação racional. No caso da doutrina da Trindade e da Incarnação, defendeu uma teologia revelada; ou seja, a verdade de tais doutrinas só pode ser conhecida através da revelação divina. A relação entre a fé e a razão tem um papel central na filosofia de Tomás de Aquino. Defendeu que tanto a fé como a razão são modos de chegar à verdade. Mas se a razão chegar a um resultado contrário à fé é porque cometemos um erro de raciocínio. A ideia é que a fé é uma forma infalível de chegar à verdade em questões religiosas. Tomás de Aquino preocupou-se ainda com questões éticas, epistemológicas e metafísicas. Em todas estas áreas tentou conciliar a doutrina cristã com o aristotelismo. Em 1323 foi canonizado pelo Papa João XXII que argumentou que apesar de Tomás de Aquino não ter feito milagres, cada problema filosófico a que respondeu representa um verdadeiro milagre. CT
Kenny, Anthony, História Concisa da Filosofia Ocidental, cap. 8 (Lisboa: Temas e Debates, 1999).
Tomás de Aquino, O Ente e a Essência (Lisboa: Instituto Piaget, 2000).