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- objectivismo estético
- Doutrina acerca da justificação dos juízos estéticos, de acordo com a qual juízos como "x é belo" dependem da existência de certas características em x. Há, assim, características objectivas em virtude das quais as coisas belas são belas. Esta doutrina opõe-se ao subjectivismo estético, dado que, na opinião do objectivista, o belo não é subjectivo nem depende dos gostos das pessoas. O que conta não são os sentimentos que temos quando apreciamos os objectos, mas o que faz parte integrante dos próprios objectos. O filósofo americano Monroe Beardsley (1915-85) é um dos representantes contemporâneos do objectivismo estético. AA
- objectivismo/subjectivismo
- Distinção fundamental acerca da natureza das afirmações da metafísica, mas também da epistemologia, da ética e da estética. O objectivismo defende que as verdades de alguma ou algumas áreas do conhecimento são independentes do nosso conhecimento ou experiência delas. Assim, por exemplo, o objectivismo em ética é a ideia de que o valor de verdade dos juízos éticos, como "Não se deve torturar pessoas inocentes", é independente do que possamos pensar desse juízo, ou das perspectivas de cada sujeito. Em oposição a isso, os subjectivistas defendem que o valor de verdade dos juízos éticos, estéticos, metafísicos ou epistemológicos depende fortemente da perspectiva que cada sujeito tem da "realidade". O subjectivismo estético, por exemplo, defende que não se pode dizer que a Nona Sinfonia de Beethoven é bela ou não: a beleza está nos olhos do observador. Note-se que é possível defender o subjectivismo ético, por exemplo, e ao mesmo tempo rejeitar o subjectivismo metafísico, sem qualquer contradição. AA
- objectivo/subjectivo
- Distinção entre o que é independente do sujeito e o que depende apenas do sujeito (sentimentos, pensamentos, crenças, desejos, etc.). Ver objectivismo/subjectivismo e qulidades primárias e secundárias. AA
- obra de arte
- Saber quais são os objectos que podem ser classificados como obras de arte é um dos principais problemas da filosofia da arte: o problema da definição de arte. Alguns filósofos pensam que há propriedades essenciais (ver definição essencialista) às obras de arte, que permitem classificá-las como tal, divergindo entre si quanto à identificação de tais propriedades. Outros pensam que existem propriedades necessárias e suficientes (ver condição necessária e suficiente), mas não essenciais, sendo antes de carácter contextual e institucional. Outros ainda, afirmam não ser possível identificar um conjunto de propriedades fixas, comuns a todas as obras de arte. Deve salientar-se que não são apenas objectos físicos, como quadros e esculturas, que contam como obras de arte. Uma canção, uma interpretação teatral ou o conjunto de movimentos que constituem uma peça de dança também podem ser obras de arte. Ver também definição explícita e parecença familiar. AA
- observação
- Quando é espontânea consiste em pouco mais do que ter experiências (ver experiência) ou sensações casuais e tem pouco interesse científico. A observação sistemática, pelo contrário, permite produzir e testar teorias e, por isso, é de grande importância para as ciências empíricas. A observação científica realiza-se em condições controladas, procura responder a questões previamente estabelecidas e exige a recolha, o exame e o registo sistemáticos e objectivos (ver objectivo/subjectivo) dos dados observados. O termo é também frequentemente usado para designar uma das fases do método experimental. Ver experiência científica, verificabilidade. AN
- Ockham, William of (1285-1347)
- Também conhecido por Guilherme de Ockham. Filósofo e teólogo franciscano inglês, Ockham fez contribuições importantes para diversas áreas da filosofia como a lógica, a metafísica, a teoria do conhecimento, a ética e a filosofia política. É, no entanto, conhecido sobretudo pela sua defesa do nominalismo, o ponto de vista segundo o qual os universais (ver universal) não são coisas reais, mas apenas nomes ou conceitos (ver conceito); e pelo princípio metodológico conhecido como "navalha de Ockham" ou princípio da parcimónia ("as entidades não devem ser multiplicadas para além do necessário"), que recomenda a simplicidade como critério na construção de teorias (ver teoria). A polémica em que se envolveu com o Papa João XXII sobre a "pobreza apostólica" conduziu, em 1328, à sua excomunhão e fuga para Pisa e depois para Munique, cidade onde, sob a protecção de Luís da Baviera, passou o resto dos seus dias e onde escreveu sobretudo defendendo a separação entre a Igreja e o Estado. AN
- ontologia
- Disciplina da metafísica que estuda quais as categorias de coisas que há. Por exemplo: Será que há números, ou são meras construções humanas? Terão os universais, como a brancura, existência independente dos particulares, isto é, das coisas brancas? Serão as possibilidades não realizadas reais, ou meras fantasias? Por que razão há coisas e não nada? Por vezes, usa-se erradamente o temo "ontologia" para falar de metafísica, isto é, para falar do estudo da natureza última das coisas. DM
- operador verofuncional
- Um operador verofuncional é uma conectiva proposicional (por exemplo, a conjunção "e" ou o advérbio "não") que se combina com uma ou mais frases para originar outra, mais complexa. Por exemplo, as frases "Cavaco Silva quer ser Presidente" e "Santana Lopes quer ser Presidente" podem combinar-se por meio da conectiva "e" para formar a frase complexa "Cavaco Silva quer ser Presidente e Santana Lopes quer ser Presidente". Quando temos um operador verofuncional, o valor de verdade da frase mais complexa é determinado apenas pelos valores de verdade das frases que a compõem; diz-se então que esse valor de verdade é uma função dos valores de verdade das frases componentes — daí a designação "verofuncional". Defende-se usualmente que conectivas como "e" e "ou" são verofuncionais (do mesmo modo que as suas traduções " " e " " do cálculo proposicional). Com efeito, é razoável defender que frases da forma [A e B] são verdadeiras se quer A quer B forem verdadeiras e são falsas se pelo menos uma delas for falsa; e frases da forma [A ou B] são falsas se quer A quer B forem falsas, e verdadeiras se pelo menos uma delas for verdadeira. Pelo contrário, operadores como o de crença ("acredita que") não são verofuncionais: o valor de verdade da frase "o João acredita que Paulo Portas é culpado" não depende, de nenhum modo, do da frase "Paulo Portas é culpado". O modo como cada operador verofuncional determina o valor de verdade das frases em que ocorre é representado numa tabela de verdade. PS
- opinião
- A expressão de uma crença. Uma distinção fundamental em epistemologia, introduzida por Platão, é a distinção entre crença (ou opinião) e conhecimento. Podemos achar que vamos almoçar fora, e acabarmos por não ir. Mas se soubermos que vamos almoçar fora (se isso for verdadeiramente conhecimento), então vamos mesmo almoçar fora. Isto significa que o conhecimento, mas não a crença, é factivo; isto é, podemos acreditar em coisas falsas, mas não podemos saber coisas falsas. Por outras palavras, podemos acreditar em falsidades, mas não podemos saber falsidades. CT
- oposição, quadrado de
- Ver quadrado de oposição.
- organon
- Termo grego para "instrumento". Aristóteles usou o termo para designar um conjunto de obras que tratam de lógica, formal e informal, que ele considerava um instrumento da filosofia e do conhecimento em geral. DM
- ousia
- Termo grego para "substância" ou, literalmente, "ser". Aristóteles usava o termo para referir a primeira das suas categorias. O ser ou a substância de uma coisa é o que subjaz a todas as mudanças que uma coisa sofre ao longo do tempo. DM