Na lógica proposicional usam-se em geral letras como P, Q, R, etc., para simbolizar proposições. Pode-se usar outras letras, e por vezes usam-se letras minúsculas, como p, q, r, etc. Assim, uma proposição como a expressa pela frase "Se Deus existe, a vida é sagrada" formaliza-se assim: "Se P, então Q". O termo "então" é muitas vezes omitido na linguagem corrente, mas é clarificador na formalização. Na lógica de predicados simbolizam-se geralmente os predicados com letras como F, G, H, etc., e os nomes próprios com letras minúsculas como m, n, o, etc. A variação mais comum é simbolizar os nomes próprios com letras como a, b, c, etc. Assim, pode-se exprimir o facto de as afirmações "Sócrates é mortal" e "Paris é uma cidade" terem a mesma forma lógica: Fn — F simboliza qualquer predicado, como "é mortal" ou "é uma cidade" e n simboliza qualquer nome, como "Sócrates" ou "Paris". E pode-se dizer que "Sócrates é Sócrates" tem a forma n = n.
Para formalizar parcialmente uma afirmação como "todos os homens são mortais" precisamos de formalizar a quantificação. O quantificador universal "todos" ou "nenhuns" é formalizado como um A ao contrário: ∀. Mas precisamos também de exprimir a ideia de que todas as coisas que têm uma dada propriedade F têm outra propriedade G; e isso faz-se usando símbolos como x, y, z, etc. Assim, ∀x quer dizer "todas as coisas". Para dizer que todas as coisas F são G dizemos: ∀x (se Fx, então Gx). Para dizer que tudo é F escrevemos: ∀x Fx.
Dizer que alguns homens são ingleses é dizer que há coisas que são simultaneamente homens e ingleses; a sua forma lógica é a seguinte: ∃x (Fx e Gx). ∃ é o símbolo lógico para os quantificadores existenciais da linguagem natural: "alguns", "há", "pelo menos um", etc. A forma lógica de uma afirmação como "Há átomos" é ∃x Fx.
Na lógica aristotélica formaliza-se "Todos os homens são mortais" como "Todo o A é B". Por vezes, usa-se F, G. Em qualquer caso, o importante é compreender que A ou F não são variáveis de predicados, mas de classes de particulares. DM
Murcho, Desidério, O Lugar da Lógica na Filosofia, Capítulos 4 e 5 (Lisboa: Plátano, 2003).
Newton-Smith, W. H., Lógica: Um curso introdutório, Capítulos 1, 2, 3 e 5 (Lisboa: Gradiva, 1998).
Priest, Graham, Lógica (Lisboa: Temas e Debates, 2002).