A Crítica da Razão Pura (1781) é a sua primeira grande obra. O problema que a domina é o de saber como é o conhecimento a priori acerca do mundo possível (ver a priori/a posteriori), ou para usar a sua terminologia, como é o conhecimento sintético a priori possível (ver analítico/sintético). Kant defendeu que não é possível saber como o mundo é em si, independentemente da nossa experiência. Sucintamente, a ideia de Kant é que o nosso aparato cognitivo, seja ele perceptivo ou puramente intelectual (ou teórico), impõe certas estruturas ao mundo. Kant defendeu que uma metafísica científica deve usar criticamente a razão na procura dos seus próprios limites: temos de procurar as "formas" que o nosso aparato cognitivo impõe ao mundo. Esta é a "revolução copernicana" de Kant: para sabermos o que podemos conhecer, temos de saber como o conhecemos.
Na Crítica da Razão Prática (1788), Kant procura os fundamentos da nossa razão prática, isto é, os fundamentos do nosso raciocínio moral. Defende que agir racionalmente é agir moralmente, é agir de acordo com o nosso dever, é agir de acordo com o imperativo categórico. Na Crítica da Faculdade do Juízo (1790), volta a defender a objectividade da razão, mas desta vez relativamente aos juízos estéticos. Contudo, esta não é meramente uma obra de estética. Nela, Kant fornece-nos uma visão global do seu sistema filosófico. CT
Kant, Immanuel, Crítica da Razão Pura (Lisboa: FCG, 1989).
Kant, Immanuel, Crítica da Razão Prática (Lisboa: Edições 70, 1997).
Kant, Immanuel, Crítica da Faculdade do Juízo (Lisboa: INCM, 1992).
Kant, Immanuel, Fundamentação da Metafísica dos Costumes (Lisboa: Edições 70, 1991).
Kenny, Anthony, História Concisa da Filosofia Ocidental, cap. 16 (Lisboa: Temas e Debates, 1999).
Magee, Bryan, Os Grandes Filósofos, cap. 8 (Lisboa: Presença, 1989).