Um argumento dedutivo parte do geral para o particular?

Não. Um argumento dedutivo pode ter premissas gerais e conclusão igualmente geral, como o seguinte:

Todos os gatos são animais.
Todos os animais são seres vivos.
Logo, todos os gatos são seres vivos.

E também pode ter premissas particulares e conclusão particular, como o seguinte:

Alguns filósofos são gregos.
Logo, alguns gregos são filósofos.

Um argumento indutivo parte do particular para o geral?

Não. Um argumento indutivo pode ter premissas gerais e conclusão particular, como o seguinte:

Todos os corvos observados até hoje são pretos.
Logo, o corvo do Asdrúbal é preto.

Neste caso, trata-se de uma previsão, que é um dos tipos de indução. O outro tipo de argumento indutivo é a generalização, que tem premissas menos gerais do que a conclusão; mas as premissas não têm de ser particulares e a conclusão geral. Na seguinte generalização, tanto as premissas como a conclusão são gerais:

Todos os corvos observados até hoje são pretos.
Logo, todos os corvos são pretos.

A conclusão de um argumento dedutivo é necessária?

Não. A conclusão do seguinte argumento dedutivo válido não é necessária:

Quem está em Lisboa está em Portugal.
Cavaco Silva está em Lisboa.
Logo, Cavaco Silva está em Portugal.

Como é evidente, não é necessário que Cavaco Silva esteja em Portugal; poderia estar noutro país qualquer. O que está aqui em causa é a confusão entre o carácter necessário da conexão entre premissas e conclusão, quando um argumento é dedutivamente válido, e o carácter necessário da conclusão. As conclusões podem ou não ser necessárias nos argumentos dedutivos válidos; mas a conexão entre premissas e conclusão é sempre necessária quando um argumento dedutivo é válido.

Um argumento pode ser válido em certas circunstâncias e inválido em outras?

Não. A validade só existe quando não há qualquer circunstância em que as premissas do argumento sejam verdadeiras e a conclusão falsa.

João e Lisboa são conceitos?

Na lógica aristotélica só os termos gerais, como "gregos" ou "filósofos" exprimem conceitos. Os nomes próprios, como "João" ou "Lisboa", não exprimem conceitos. Este é também a acepção gramatical da noção de conceito.

Contudo, na filosofia contemporânea considera-se que um conceito é uma componente qualquer pensamento, e nesse caso temos os conceitos de João e de Lisboa, mas mesmo assim nem João nem Lisboa são conceitos.

A extensão de um conceito aumenta quando a compreensão diminui e vice-versa?

Não. A intensão do termo geral "marcianos" é presumivelmente menor do que a intensão do termo geral "ser vivo", mas a extensão de "marcianos" não é maior do que a extensão de "seres vivos". Além disso, a intensão dos termos gerais "portugueses" e "brasileiros" é igual, mas a extensão do segundo termo é muitíssimo maior do que a do primeiro.

A proposição é a expressão verbal ou linguística do juízo?

Não. A elocução de uma frase é que é a expressão verbal de uma proposição. Uma proposição é o pensamento que uma frase exprime. Frases diferentes podem exprimir a mesma proposição. Tanto a frase "Coimbra fica entre Lisboa e Porto" como a frase "Coimbra fica entre Porto e Lisboa" exprimem a mesma proposição, pois exprimem o mesmo pensamento.

As frases são proposições?

Não. Nenhuma frase pode ser uma proposição. Mas algumas frases exprimem proposições. Tal como nenhuns riscos num papel podem ser um pensamento. Mas alguns riscos num papel exprimem pensamentos.

Um juízo é uma relação entre conceitos?

Não. Um juízo é o pensamento expresso por qualquer afirmação verdadeira ou falsa, e uma afirmação verdadeira ou falsa pode ou não relacionar conceitos. A afirmação "Cavaco Silva está em Lisboa" não relaciona quaisquer conceitos, na acepção tradicional de conceito.

Todas as proposições são da forma "S é P"?

Não. A proposição expressa pela frase "Lisboa fica a norte do Algarve" não é da forma "S é P".

Uma falácia é um silogismo inválido?

Não. Uma falácia é qualquer argumento mau que parece bom, e a maior parte dos argumentos não são silogismos.

Num argumento dedutivo a conclusão está já contida nas premissas?

Não. No seguinte argumento dedutivo válido a conclusão não está contida nas premissas:

Todos os filósofos são seres humanos.
Todos os seres humanos são mortais.
Logo, todos os filósofos são mortais.

Nas premissas não está presente a ideia de que os filósofos são mortais. Esta ideia resulta por dedução de duas outras ideias, mas não faz parte delas.

A lógica funda-se nas três leis do pensamento?

Não. A lógica aristotélica, por exemplo, não usa qualquer uma das pretensas três leis; a lógica proposicional também não pode sequer usar a lei da identidade. Tanto a chamada lei da não contradição como a chamada lei do terceiro excluído não são aceites em algumas lógicas; e nenhuma lógica usa estas "leis" como regras básicas ou pontos de partida.

A validade material opõe-se à validade formal?

Não. O que confusamente se chama "validade material" é apenas a verdade. E a "validade formal" é apenas a validade.

Na descrição fenomenológica do conhecimento o sujeito sai de si?

Não. A descrição fenomenológica do conhecimento é uma tentativa de descrever o processo de conhecimento sem pressupor a existência do mundo exterior, tendo por isso em conta apenas os aspectos internos do processo cognitivo.

Os racionalistas defendem que todo o conhecimento provém da razão?

Não. Os racionalistas defendem é que algum do nosso conhecimento fundamental provém da razão.

A epistemologia é filosofia da ciência?

Não. A epistemologia é teoria do conhecimento, e trata de todos os problemas relacionados com qualquer tipo de conhecimento, e não apenas do conhecimento científico. A filosofia da ciência não é sequer uma área da epistemologia, dado tratar de problemas que não são sobre o conhecimento, como é o caso do problema de saber o que é uma lei científica, que é um problema metafísico e não epistemológico.