Murcho, Desidério, "Definição de "Definição"" in A Natureza da Filosofia e o seu Ensino (Lisboa: Plátano, 2002).
2. Aplicado a classes, o termo "denotação" é equivalente ao mais corrente "extensão". Ver também conotação, referência. PS
| 1. | R e não S | Premissa |
| 2. | Se P, então S | Premissa |
| 3. | Não S | 1, Eliminação da conjunção |
| 4. | Não P | 2, 3, modus tollens |
| 5. | R | 1, Eliminação da conjunção |
| 6. | R e não P | 4, 5, Introdução da conjunção |
A primeira coluna limita-se a numerar os passos; a segunda coluna apresenta as formas lógicas que são objecto do raciocínio; e a terceira coluna justifica cada um dos passos dados, apelando a regras válidas. As derivações são dispositivos sintácticos para determinar a validade de argumentos porque não fazem qualquer referência às condições de verdade (ver tabela de verdade) das premissas e conclusão, ao contrário do que acontece nos inspectores de circunstâncias, que determinam a validade em função das condições de verdade das premissas e conclusão em causa. DM
No Discurso do Método (1637), Descartes apresenta um resumo do seu pensamento filosófico, que mais tarde desenvolve nas Meditações sobre a Filosofia Primeira (1641). A preocupação central de Descartes é conseguir estabelecer um método seguro para a filosofia, que a coloque no mesmo caminho de sucesso que a ciência do seu tempo começava a percorrer. Como muitos filósofos do seu tempo, Descartes está igualmente preocupado com o cepticismo. A sua famosa dúvida metódica consiste em levar até às últimas consequências as dúvidas dos cépticos, convencido de que no fim haverá uma verdade da qual não será possível duvidar. Santo Agostinho já tinha proposto o mesmo método de refutação do cepticismo, mas Descartes entende que, com base no que restar depois da aplicação da dúvida metódica, será possível reconstruir os fundamentos de todo o conhecimento. Descartes costuma por isso ser visto como um fundacionista (ver fundacionismo) com respeito à epistemologia.
A verdade irrefutável e que nem os cépticos mais radicais poderiam recusar é a própria existência de quem duvida; daí a famosa expressão "Penso, logo existo" — isto é, posso duvidar de tudo, incluindo da realidade do mundo exterior, mas, para poder duvidar, tenho de existir, e por isso a minha própria existência é indubitável e evidente. Mas a minha existência não se pode confundir com a existência do meu corpo, do qual posso duvidar. E Descartes introduz assim o famoso e poderoso argumento dualista: se é possível que o meu corpo seja uma ilusão, mas é impossível que eu seja uma ilusão, então eu não sou o meu corpo. Com base na certeza de que o eu existe, Descartes procura então mostrar a existência de Deus e, com base na existência de Deus, a existência do mundo exterior. A obra de Descartes, sobretudo as Meditações, é um modelo da actividade filosófica genuína e constitui um bom ponto para começar o estudo da filosofia. DM
Blackburn, Simon, Pense, Cap. 1 (Lisboa: Gradiva, 2001).
Descartes, René, Discurso do Método (Lisboa: Sá da Costa, 1984).
Descartes, René, Meditações sobre a Filosofia Primeira (Coimbra: Almedina, 1985).
Kenny, Anthony, História Concisa da Filosofia Ocidental, Cap. 11 (Lisboa: Temas e Debates, 1999).
Magee, Bryan, Os Grandes Filósofos, cap. 4 (Lisboa, Presença, 1989).
2. Em geral, um dilema é uma situação na qual estamos perante duas alternativas, temos de escolher uma delas e nenhuma delas é agradável. DM
1.ª premissa — Ou o determinismo é verdadeiro, ou é falso;
2.ª premissa — Se for verdadeiro, então não somos livres;
3.ª premissa — Se for falso, as nossas acções são aleatórias e, portanto, também não somos livres.
Conclusão — Em qualquer caso, não somos livres.
O desafio posto por este argumento é o de nos instar a encontrar uma alternativa à determinação completa ou à aleatoriedade total das acções, que têm como consequência a negação da responsabilidade humana. APC