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- Bedeutung
- Termo alemão que significa "referência" e se opõe a Sinn (sentido). Frege introduziu esta distinção para separar o que um termo refere da maneira como o termo refere: os termos "Mestre de Platão" e "O filósofo que bebeu a cicuta" referem a mesma coisa (Sócrates), mas referem essa coisa de maneiras diferentes: têm diferentes sentidos. DM
- Berkeley, George
- (1685-1753) Filósofo e bispo irlandês. Berkeley defende uma forma extrema de idealismo, segundo a qual "esse est percipi" (ser é ser percepcionado). Por outras palavras, uma árvore, por exemplo, não tem qualquer existência material independente da nossa percepção da sua cor, textura, solidez, etc. Apesar disso, a árvore não é menos real nem a sua existência menos objectiva, dado que a nossa percepção dela é involuntária. Assim, o idealismo de Berkeley, apesar de radical, é objectivista, ainda que seja comum dizer-se, erradamente, que ele é um idealista subjectivista (ver objectivo/subjectivo). O idealismo de Berkeley tem tendência para parecer uma ilustração das ideias disparatadas típicas de filósofos ociosos; mas esta impressão falsa só subsiste quando não se compreendem os problemas a que Berkeley estava a dar resposta. No contexto filosófico da época, o dualismo cartesiano (ver Descartes) introduzia um fosso entre as ideias (ou a mente) e o mundo físico; e Berkeley considerava que a resposta de Locke era insatisfatória, tendo como consequência o ateísmo e o cepticismo. Ao eliminar a materialidade do mundo, Berkeley procura eliminar o fosso entre a mente e o mundo. O valor de Berkeley não reside tanto na conclusão a que chegou e que nunca foi muito levada a sério, mas no vigor e brilho da sua defesa, clara e articulada, honesta e acessível ao leitor comum. O Tratado do Conhecimento Humano (1710) é uma defesa brilhante e sintética das suas ideias; os Três Diálogos entre Hilas e Filonous (1713), menos sintéticos, são uma exposição mais literária e popular das ideias da obra anterior. DM
Berkeley, George, Tratado do Conhecimento Humano / Três Diálogos (Lisboa: INCM, 2000).
Kenny, Anthony, História Concisa da Filosofia Ocidental, cap. 14 (Lisboa: Temas e Debates, 1999).
Magee, Bryan, Os Grandes Filósofos, cap. 6 (Lisboa, Presença, 1989).
- bicondicional (↔)
- Uma afirmação com a forma "P se, e só se, Q", como "Uma coisa é arte se, e só se, for bela". No discurso corrente omite-se muitas vezes um dos ses: "Ofereço-te um livro se passares de ano" quer em geral dizer "se, e só se, passares de ano". Uma bicondicional é uma conjunção de duas condicionais: "P se, e só se, Q" é o mesmo que "Se P, então Q, e se Q, então P" (ver condicional). Uma bicondicional só é verdadeira quando ambas as proposições têm o mesmo valor de verdade e por isso chama-se-lhe também "equivalência". As definições mais rigorosas usam bicondicionais para conectar o que se está a definir com o que o define. DM
- bioética
- Ramo da ética aplicada relativo às questões morais suscitadas pela medicina e pela biologia. Na bioética discute-se, por exemplo, a moralidade do aborto, da eutanásia, das experiências com animais, da clonagem, da manipulação genética ou dos transplantes de órgãos. A discussão destas questões exige não só um conhecimento médico e científico especializado, mas também um domínio das teorias éticas normativas que os filósofos propõem. Ver normativo/descritivo. PG